ENTREVISTA COM YOSHI ITICE, AUTOR DE EVENTOS SEMIAPOCALÍPRICOS

 

O que uma máquina de secar roupas, um gaúcho de tapa-olho, um sereio invertido e uma mochila com detalhes na cor rosa tem em comum? Muito pouco. Quase nada eu diria. Em um mundo semiapocalíptico Eduardo e Afonso buscam incessantemente pelo MAIOR MAGO DO UNIVERSO, mas o caminho não será nada fácil e o maior desafio será um conseguir aturar o outro. Esta é a sinopse da HQ Eventos Semiapocalípticos – Eduardo e Afonso, obra criada pelo autor Yoshi Itice.

Para descobrir mais sobre o projeto, nós da Imperial HQs realizamos uma breve entrevista. Confira!

 

Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?
Sempre gostei muito dos filmes da Pixar/Disney, sou super fã da Nintendo no mundo dos vídeo games e nos quadrinhos eu já acompanhei MUITOS mangas hahaha Eu não sei até que ponto esses gostos acabam influenciando em meus traços e forma de contar histórias, mas sempre me chamam a atenção o uso das cores na narrativa, o traço limpo e o universo expandido por trás das histórias.

 

 

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Eventos Semiapocalípticos?
Esse ano passei por algumas revoluções na minha vida e isso incluiu também a forma como eu vinha tocando minha carreira. Quando fui convidado por Gregg (“Meu pai é um homem da montanha”), Bianca (“Bear”/”Mônica-Força”) e Alexandre (“Você é um babaca, Bernardo”) para montarmos um estúdio/selo de quadrinhos, decidi criar uma coisa completamente diferente de tudo o que eu vinha fazendo. Pensei numa historinha bem descompromissada sobre um personagem que viajava carregando um eletrodoméstico falante. Daí nasceram Eduardo e Afonso. Sentei no computador e escrevi só os diálogos da história toda. Tudo de uma só vez. A ação ia acontecendo na minha cabeça e eu ia registrando o que os personagens falavam. Desse texto fui desenhando as páginas, uma a uma, pensando na composição da página e depois em cada quadro individualmente. Com a ajuda dos meus colegas de estúdio fui lapidando a história e desenvolvendo os personagens. Alguns ficaram tão interessantes que comecei a ter ideias para outras histórias e assim, uma HQ descompromissada virou um projeto de uma coleção de historietas. “Eduardo e Afonso” tem começo, meio e fim muito bem definidos, mas dão abertura para outros volumes a partir dali. O nome “Eventos Semiapocalípticos” só veio dias antes de lançar a campanha no Catarse.

 

Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Eventos Semiapocalípticos?
Estou produzindo esse quadrinho de maneira bem calma. Primeiro eu esbocei/desenhei todas as páginas até o final da HQ. Eu já tinha uma ideia de arte final e paleta de cores, mas deixei isso de lado até ter certeza do ritmo da narrativa do começo ao fim. Agora estou finalizando as páginas uma a uma. Primeiro eu passo tudo a limpo e depois mando as cores, sempre cuidando para que elas marquem a passagem de tempo. A história começa de manhã (cores mais amareladas, traço marrom); passa pela tarde (cores mais vivas); anoitece (traço roxo, cores azuladas e frias) e assim vai. Entre uma página e outra eu tenho que arrumar um tempinho para alguns freelas, mas o meu foco é a produção da HQ.

 

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?
Costume de leitura. Desde crianças não somos estimulados a virar leitores. Além disso, artistas e escritores carregam o estigma de “vagabundos”. O resultado disso é óbvio: o público consumidor de quadrinhos é nicho do nicho do nicho do nicho do nicho.

 

 

Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?
Para os iniciantes a dica é: leia muito, faça um projeto pequeno de HQ e vá até o final. E quando eu digo até o final é até o final MESMO. Imprimir e vender. Produzir uma HQ de forma independente não termina com o desenho. Você escreve, desenha, colore, imprime, faz propaganda, distribui, vende, faz controle de estoque, faz contrato de consignação, viaja para eventos… é um grande acúmulo de funções e em cada uma delas é uma vida de aprendizados. Sempre há o que aprender; sempre há o que melhorar. Aos colegas calejados só o que eu tenho a dizer é: não desistam! Continuem firme e forte!

 

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?
Eu tenho um site onde eu costumo postar umas ilustrações e novidades sobre os meus quadrinhos: http://www.manjericcao.com.br/ 

Ou você pode me acompanhar nas redes sociais: https://www.facebook.com/manjericcao/ e https://www.instagram.com/yoshiitice/

E nesse momento eu tô buscando financiamento para o “Eventos Semiapocalípticos – Eduardo e Afonso” lá no Catarse: http://www.manjericcao.com.br/

 

Para apoiar o projeto é só clicar AQUI! Se não puder apoiar financeiramente, compartilhe a campanha com seus amigos e familiares, será de grande ajuda!



Imperial HQs Written by:

Imperial HQs é um estúdio de histórias em quadrinhos e livros que pública suas obras gratuitamente em seu site e redes sociais desde 2014. Buscamos ser relevantes no mercado de quadrinhos nacionais através das nossas obras e fazendo parcerias com outros autores independentes.